"Curso de Formação de Educadores Ambientais: a experiência do Projeto Pólen"

Este livro trata da rica e marcante experiência que foi o desenvolvimento do Curso de Formação de Educadores Ambientais (CFEA), principal ação educativa do Projeto Pólen, visando a mitigação de impactos socioambientais da exploração de petróleo e gás por dois empreendimentos da Unidade de Negócio de Exploração e Produção da Bacia de Campos da PETROBRAS . Assim o vemos enquanto seus organizadores. Assim é nossa expectativa quanto a todos aqueles que de uma ou outra forma estiveram nele envolvidos. O pano de fundo desta construção do curso retrata uma região do território brasileiro imersa numa situação de transformações geradas pela exploração do petróleo. Exploração que se legitima em nossa evidente dependência deste recurso natural, mas que, contudo, não deve ser feita com o prejuízo de outros recursos.

Sendo recurso da nação, o petróleo e o gás devem ser explorados de forma a trazer benefícios a esta nação, com o menor impacto possível. Como fazer? Reconhecendo e entendendo a complexidade das variáveis que possibilitam os estoques e estão envolvidas em sua apropriação pelo ser humano; conhecendo possibilidades e limites para esta apropriação; construindo coletivamente os instrumentos que possibilitarão a pessoas e a grupos apropriarem-se de suas realidades e a elas proporcionar um encaminhamento que possa contribuir para a conquista da cidadania. Como fizemos? Este livro relata parte desse nosso fazer. Para isso, reunimos como autores profissionais que participaram do CFEA como palestrantes, colaboradores destes, além da própria equipe executora que planejou e deu suporte técnico a todas as atividades do curso.

Já no capítulo 1 temos esta visão geral do curso. Nele fica exposta nossa intencionalidade em fomentar a formação de pessoas que possam influenciar a gestão ambiental de seus municípios e, nestes, de maneira diferenciada, contribuir para a mitigação dos impactos da indústria do petróleo. O capítulo 2 apresenta o contexto mais geral da questão ambiental, as consequências socioambientais do avanço do capital transnacional na América Latina e o papel dos movimentos sociais como uma importante esfera de resistência a esse movimento. Este capítulo busca ressaltar também a relevância da gestão ambiental pública enquanto mediadora dos conflitos socioambientais gerados por essa lógica expansionista, e a contribuição da Educação Ambiental (EA) nesse contexto.

O capítulo 3 amplia e aprofunda alguns dos aspectos do capítulo anterior quando detalha o contexto em que é praticada a gestão ambiental pública, seu foco principal. Ao apresentar custos e benefícios desse tipo de gestão, indica possibilidades de intervenção ao visar o controle social e também os fatores condicionantes e limitantes deste processo decisório sobre a destinação dos recursos, ou seja, a prática da gestão ambiental pública.

É no capítulo 4 que vemos retratada a importância de aproximarmo-nos da natureza e como isto deve ser feito com o auxílio de conceitos ecológicos que favorecem a compreensão dos impactos, os quais precisam ser mitigados. No capítulo 5, a empresa explicita o contexto objetivo de surgimento do Projeto Pólen, detalhando aspectos técnicos dos empreendimentos atendidos. Especialmente interessante é podermos observar o esforço feito pela PETROBRAS, enquanto empreendedor para promover avanço contínuo na qualidade de sua relação com o ambiente e constatar que parcerias entre empresas, organizações, universidades e regulamentadores são essenciais para a efetiva promoção do desenvolvimento socioeconômico com a preservação da qualidade do meio ambiente. Polêmica, atual e fundamental, a questão dos royalties é discutida no capítulo 6, no qual os autores afirmam que a distribuição das rendas do petróleo poderia ser diferente, bem como a forma de aplicar essa riqueza, que poderia seguir rumos alternativos.

Igualmente importante é a questão da participação, discutida no capítulo 7, em vários momentos do curso e vivenciada ao longo do processo educativo desenvolvido. Se, por vezes, é apresentada como o conceito quase mágico que pode levar-nos ao objetivo almejado, o autor nos recorda de que, no caso do Brasil, em especial, devemos sempre lembrar que a participação é um processo social que se realiza de modo tensionado e contraditório. Por conta disso, é com força redobrada que o conceito reaparece no capítulo 8, associado desta vez à organização. Ali, aprendemos de um exemplo prático, que narra a criação do Conselho Deliberativo da Reserva Extrativista (Resex) do Cazumbá-Iracema – Sena Madureira, Acre, onde dificuldades enormes foram superadas, como os polos de EA podem exercer seu papel de potencializadores de iniciativas democráticas e populares na região de abrangência do Projeto Pólen.
Nossa preocupação com a apresentação, o debate e a prática de metodologias que levem à efetiva participação se manifesta novamente no capítulo 9, que aborda a metodologia da pesquisa-ação por meio do relato da experiência da Papesca/UFRJ em Macaé (RJ). Ainda que nosso foco seja a EA ligada à gestão ambiental pública, seria impossível desconsiderar o espaço escolar diante de um grupo de cursistas composto também por professores. Além disso, como negar a importância das iniciativas de EA ali desenvolvidas e o sempre atualizado debate envolvendo a questão do trabalho por projetos, em disciplina específica ou de forma transdisciplinar? Estes aspectos são debatidos nos capítulos 10 e 11. A busca do fortalecimento do grupo e a aproximação das pessoas com o objetivo de construir equipes foi uma preocupação presente em todos os módulos do curso e, conforme apresentado no capítulo 12, foi adquirindo importância capital na concepção pedagógica do projeto, além de alcançar outros momentos do cotidiano dos polos.

O capítulo 13 buscou refletir sobre o próprio processo de formação de educadores ambientais ocorrido no curso, entendendo que os participantes construíram sentidos específicos sobre sua formação. No capítulo 14, é possível aprofundar-se um pouco mais na prática e nas reflexões do Projeto Pólen. Em texto de legítima produção coletiva, a equipe executora do projeto trata de alguns aspectos relacionados à visão de educação como processo de formação contínua, e como essa relação se estabeleceu durante o acompanhamento das atividades do curso. Por fim, nos dois últimos capítulos são apresentados aspectos fundamentais da proposta do projeto, como a reflexão teórica e a vivência prática da realização de um projeto de EA, ainda no âmbito do processo de formação do grupo, porém com aumento expressivo da liberdade de ação para a construção da autonomia do grupo em seu polo.

Temos certeza de que não contamos tudo desta experiência, porque para isto precisaríamos que aqui se exprimissem todos que efetivamente participaram do curso. Isso não foi possível, mas talvez ainda venha a ser, pois as relações ainda estão ativas. A cada dia, em algum lugar dos treze municípios da Bacia de Campos envolvidos pelo projeto, uma nova frase é acrescentada a esta história, um novo passo a esta caminhada, uma nova motivação a esta luta. É sincero nosso desejo de avançar e contribuir para mudanças significativas na questão ambiental do país. Esperamos que a leitura seja proveitosa e agradável.

 

Macaé, maio de 2010.
Os organizadores

 

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Capítulo I - Reflexões sobre o processo de elaboração do Curso de Formação de Educadores Ambientais: reconstruindo sua estrutura e funcionamento
Marcela S. Farjalla, Monique D. Pacheco, Laísa M. F. dos Santos, Alexandre F. Lopes, Carlos F. B. Loureiro, Aline Amado, Américo de A. Pastor Jr., Ana Carolina C. da Silva, André V. F. dos Santos, Carolina C. de Souza, Jamile de A. M. da Silva, Juliana M. C.da Silva, Lívia da S. Ferreira, Paula L. B. da Cunha, Rosilana V. Marinho, Francisco de A. Esteves, Reinaldo L. Bozelli

Capítulo II - Conseqüências socioambientais da expansão do capital transnacional na América Latina: uma análise a partir da Ecologia Política
Mônica Armond Serrão

Capítulo III - Gestão Ambiental Pública
José Silva Quintas

Capítulo IV - O (Um) conhecimento ecológico e sua contribuição para a Educação Ambiental
Reinaldo Luiz Bozelli

Capítulo V - As atividades da Petrobras: processos de licenciamento atendidos pelo Projeto Pólen
Aldo de B. Magalhães, Edgard R. Pessanha, Fernando M. S. Batista, Marina B. Goulart, Márcia de S. Mancebo, Marina R. D. Garcia, Suely O. Gaiga

Capítulo VI - Sobre a distribuição e aplicação das rendas do petróleo no Brasil: a pobreza do debate e a riqueza das alternativas
Rodrigo V. Serra & Carmen H. C. dos S. Marinho

Capítulo VII - Educação Ambiental e participação popular
Carlos Frederico Bernardo Loureiro

Capítulo VIII - Organização e participação comunitária em projetos de educação ambiental: uma experiência na Reserva Extrativista do Cazumbá-Iracema, Sena Madureira-AC
Cláudia Conceição Cunha

Capítulo IX - Metodologia da pesquisa-ação: a experiência da PAPESCA/UFRJ em Macaé-RJ
Sidney Lianza, Vera M. Lopes, Fátima K. P. Joventino, Cláudia A. de A. Alencar, Felipe Addor

Capítulo X - Educação Ambiental na escola: investigando sentidos sobre interdisciplinaridade e disciplinarização nas políticas de currículo
Maria J. G. S. de Lima & Marcia S. Ferreira

Capítulo XI - Organização curricular: disciplinaridade x interdisciplinaridade. Um embate que deve levar em consideração apenas as condições objetivas da escola?
Fernando Mendes Guerra

Capítulo XII - Desenvolvimento dos Grupos
Cândida M. C. Melo & Lívia da S. Ferreira

Capítulo XIII - O educador ambiental no Projeto Pólen: refletindo sobre suas características e seu papel
Laísa M. F. dos Santos, Reinaldo L. Bozelli & Isabel Martins

Capítulo XIV - Visita de Acompanhamento: A permanência do processo educativo no Projeto Pólen
Aline Amado, Laísa M. F. dos Santos, Carlos F. B. Loureiro, Alexandre F. Lopes, Américo de A. Pastor Jr., Ana Carolina C. da Silva, André V. F. dos Santos, Carolina C. de Souza, Jamile de A. M. da Silva, Juliana M. C.da Silva, Lívia da S. Ferreira, Marcela S. Farjalla, Monique D. Pacheco, Paula L. B. da Cunha, Rosilana V. Marinho, Francisco de A. Esteves, Reinaldo L. Bozelli

Capítulo XV - Projetos Sociais Práxis: um desafio histórico
Maria Odete da Rosa Pereira

Capítulo XVI - Elaboração de projetos em Educação Ambiental: o processo realizado durante o Curso de Formação de Educadores Ambientais
Carolina C. de Souza, Américo de A. Pastor Jr., Laísa M. F. dos Santos, Alexandre F. Lopes, Carlos F. B. Loureiro, Aline Amado, Ana Carolina C. da Silva, André V. F. dos Santos, Jamile de A. M. da Silva, Juliana M. C.da Silva, Lívia da S. Ferreira, Marcela S. Farjalla, Monique D. Pacheco, Paula L. B. da Cunha, Rosilana V. Marinho, Francisco de A. Esteves, Reinaldo L. Bozelli

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